Ela faz

 

(Leonard Cohen – Love itself)

O pensamento era precisamente retilíneo e coerente. Estávamos sentados na cama. Aliás, eu estava sentado e ela deitada. Apesar da posição não muito cômoda, aquelas palavras, como de costume, transportavam-me a um estado dormente, a um efeito ludovico de inconsciência, tamanha a precisão com que dissolviam em texto de poucas linhas toda a decadência humana. Minha alma estava ali, sonolenta, mas estava ali, mergulhando na seqüência atordoante de  palavras simples e de sentidos tão mais simples quanto à essência que difere um homem, uma vaca e uma estrela. E, enquanto estava ali, estupefato por fonemas, tentando compreender como aqueles poucos significantes insignificantes podiam abarcar o universo, ela olhou para mim e deu um sorriso. Toda a decadência humana já não importava mais. Não sei como ela faz isso, mas ela faz….

3 Respostas to “Ela faz”

  1. L’décadence est le charme de l’humanité. Tá nostágico e frio esse blog. saudades, guilhermeza. aparece aqui em casa. quando vamos montar nossa assessoria de imprensa, ou nossa produtora?

    a vida é curta e a esperança não espera. embora a amizade seja eterna.
    Desculpe a infortuita poesia.

    abrazozoz
    abraços sionistas!
    feliz 3.000!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: