Ela faz

 

(Leonard Cohen – Love itself)

O pensamento era precisamente retilíneo e coerente. Estávamos sentados na cama. Aliás, eu estava sentado e ela deitada. Apesar da posição não muito cômoda, aquelas palavras, como de costume, transportavam-me a um estado dormente, a um efeito ludovico de inconsciência, tamanha a precisão com que dissolviam em texto de poucas linhas toda a decadência humana. Minha alma estava ali, sonolenta, mas estava ali, mergulhando na seqüência atordoante de  palavras simples e de sentidos tão mais simples quanto à essência que difere um homem, uma vaca e uma estrela. E, enquanto estava ali, estupefato por fonemas, tentando compreender como aqueles poucos significantes insignificantes podiam abarcar o universo, ela olhou para mim e deu um sorriso. Toda a decadência humana já não importava mais. Não sei como ela faz isso, mas ela faz….

2 Respostas para “Ela faz”

  1. L’décadence est le charme de l’humanité. Tá nostágico e frio esse blog. saudades, guilhermeza. aparece aqui em casa. quando vamos montar nossa assessoria de imprensa, ou nossa produtora?

    a vida é curta e a esperança não espera. embora a amizade seja eterna.
    Desculpe a infortuita poesia.

    abrazozoz
    abraços sionistas!
    feliz 3.000!

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