Ela faz

Posted in Sem-categoria on janeiro 4, 2009 by Guilherme Coelho

 

(Leonard Cohen – Love itself)

O pensamento era precisamente retilíneo e coerente. Estávamos sentados na cama. Aliás, eu estava sentado e ela deitada. Apesar da posição não muito cômoda, aquelas palavras, como de costume, transportavam-me a um estado dormente, a um efeito ludovico de inconsciência, tamanha a precisão com que dissolviam em texto de poucas linhas toda a decadência humana. Minha alma estava ali, sonolenta, mas estava ali, mergulhando na seqüência atordoante de  palavras simples e de sentidos tão mais simples quanto à essência que difere um homem, uma vaca e uma estrela. E, enquanto estava ali, estupefato por fonemas, tentando compreender como aqueles poucos significantes insignificantes podiam abarcar o universo, ela olhou para mim e deu um sorriso. Toda a decadência humana já não importava mais. Não sei como ela faz isso, mas ela faz….

Se a história acompanhasse o tempo…

Posted in Sem-categoria on dezembro 20, 2008 by Guilherme Coelho

 

Adaptado de Salvador Dali 

(Adaptado de Salvador Dali)

"Sofremos pouco pelo muito que nos falta e alegramo-nos muito pelo pouco que temos…" Adaptado de William Shakespeare.

"Me agrada aconselhar porque, em todos os casos, se trata de uma irresponsabilidade necessária." Adaptado de Albert Einstein.

"Se se quer ser alguém, deve envenenar-se à própria sombra." Adaptado de Friedrich Nietzsche.

"O motivo da guerra é a Paz." Adaptado de Aristóteles.

"Hay que tener ternura pero sin endurecer-se jamas!" Adaptado de Ernesto Che Guevara.

"A vida é maravilhosa quando se tem medo dela." Adaptado de Charles Chaplin.

"O povo transfere para o governo toda sua fúria e sofrimento." Adaptado de Bob Marley

"Todo homem possui um vício. O meu é o vício de linguagem". Adaptado de Guilherme Coelho

Como numa boa ficção

Posted in Sem-categoria on dezembro 10, 2008 by Guilherme Coelho

 

sombra

Como numa boa ficção, em minha busca pela pergunta certa para a resposta Amor (todos pensam que o amor é um mistério, mas ele é apenas a resposta certa para uma pergunta que ninguém ainda fez), acabei conhecendo todos os amores possíveis e impossíveis. Durante séculos literários testemunhei e experimentei sua evolução narrativa. Do derramar de sangue de corações apaixonados por páginas e mais páginas de cavalhadas canalhas até cavalgadas pelos jardins de uma alma humanamente condenada à imcompletude de sua natureza. Não só conheci os amores, como conheci o Amor em suas profundas reticências… altruísta, egoísta, clássico, revolucionário, eterno e efêmero. Hoje, posso revelar a todos que essa busca foi em vão. Depois de alguns copos de esperança e medo, mistura conhecidamente perigosa, apesar de não passar de mais do mesmo, resolvi entornar de vez minhas lembranças e planos na mesa e dar razão a meu alter-cúmplice, que sempre tentou me alertar – Guilherme, ao contrário do que você pensa, todo esse trabalho de observação humana e descobrimento do ser cotidiano através de seus sentimentos não irá facilitar as regras. Você pensa que pode aprender a jogar com a vida? Não pode, pois é ela que está jogando com você. – Agora continuo minha busca pela pergunta certa para mais uma resposta já bastante conhecida: vida!

À janela (Conto do amor americano)

Posted in Sem-categoria on outubro 19, 2008 by Guilherme Coelho

 

janela1

Balance

Posted in Sem-categoria on setembro 24, 2008 by Guilherme Coelho

Won the Oscar for Best Animated Short, 1990

Figura abstrata

Posted in Sem-categoria on setembro 13, 2008 by Guilherme Coelho

 

Nela Vicente - A magia de um olhar

Antes era uma flor
No alto do amor
Era doce toda dor
De quem arde em seu calor

O amor se sente em paz
No mundo que se desfaz
Pra se pôr em pedestais
Por quem nunca foi capaz

De cegar a luz do dia
Com olhos de noite fria
E recitar a autofagia
Como cura à heresia

Doce infeliz destino
Poesia que acaba sem rima
Sem beijo, muda de cena
E a flor que era pequenina
Termina

Antes, quando era apenas uma flor… e nada, nada mais do que aquela pequenina de perfeita delicadeza flor. E vivia lá no alto, no alto da barca do amor. Onde navegar é impreciso e os ventos indecisos naufragam a paixão das naus à deriva dos descuidos de sua natureza, natureza humanamente descuidada. Não conseguem chorar as nuvens por onde hão de caminhar, nem pescar estrelas a piscar no mar. Porém, era doce aquela dor. De todos os que ardiam ao seu calor. Porque, a eles, era possível falar do amor. Amor. Jaz. Jaz o amor que somente sente paz… paz no mundo que se desfaz. E sob seus restos mortais, só pra se pôr em pedestais, se levanta e encanta o hino de corais. Encanta enquanto é canto por quem nunca foi capaz. Capaz de descer a noite tom sobre tom. E assim cegar a luz do dia. Cavalheiros lúgubres, se abstraem de sua consciência exânime para contemplar a orgia de sua natureza morta. Seus olhos de noite fria quebrantam a paz da doce fantasia sonhada pela pobre que vive só. E como cura à heresia, recita a própria autofagia. Encontra seu caminho diante da humanidade diminuta por sua humildade cínica. Seu doce e infeliz destino é encontrar-se no fim de uma poesia sem rima, pobre menina. Acabar sem beijo e sem morfina. Era apenas uma flor… tão pequenina menina. e assim termina.

Humor

Posted in Sem-categoria on agosto 22, 2008 by Guilherme Coelho

 

Nela Vicente - touro

Sempre que preciso exteriorizar minhalma, Londres me vem à cabeça, mas eu nunca estive lá. Há um humor poético,  icônico, irônico, incômodo e, sobretudo, incômico nesta frase. Por que as comédias são sempre trágicas?! Eu respondo: porque residem no senso comum. É o que nos atrai a qualquer forma de humor, o senso comum. Aliás, é o que nos atrai a qualquer forma de discurso. E não me refiro ao senso comum que se vulgarizou nos becos do jornalismo circense, da política prolixa poliândrica ou na crítica católica calótica. Me refiro ao senso comum como forma de pensamento coletivo, compartilhado, distribuído, porém, escondido, guardado em nosso fosso de pensamentos proibidos. Quando um homem é capaz de exteriorizar este pensamento, está feito o humor da vida. Digo isso porque este humor a que me refiro é aquele que nos acorda, que nos bate à cara e nos mostra que estamos vivos. Por isso o chamamos Espirituoso. Este humor já esteve nos palcos, já esteve nos palanques. Hoje ele anda um pouco sumido, um pouco guardado de mais. Acredito que o humor está perdendo a sua poesia. O humor está cada vez mais trágico. E essa tragédia é toda nossa.

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